segunda-feira, 23 de setembro de 2019

Prefácio

Uma vez, em uma madrugada de insônia, ouvi uma canção cujo refrão dizia: “Meu coração é uma cidade fantasma”. De princípio me identifiquei com a letra. Como poderia meu coração ser outra coisa que não uma cidade, um país ou um mundo inteiro fantasma? Depois de tantos dias de isolamento na infância, na adolescência e na vida adulta, eu, o dono de um universo particular protegido por uma grande e densa bolha de silêncio e solidão, poderia ter no lugar do coração algo diferente da entrada para uma dimensão fantasmagórica?


Fonte: Literary Hub


© Jefferson Adriã Reis
Maira Gall