Jefferson Adriã Reis

Nasci no cerrado, em uma cidadezinha do Mato Grosso chamada Pedra Preta. Por aqui há muito sol, poeira e céu azul, mas, na noite de meu nascimento, chovia muito. Dizem que minha mãe caminhou às pressas para o hospital, porque eu não queria esperar. E em uma noite de março, quando ela aguardava para ser levada à sala de parto, nasci no quarto comum. Às vezes, quando eu era criança e passava com alguém da família perto do velho hospital, ouvia: Está vendo aquela janela ali no canto? Foi naquele quarto que você nasceu, nem esperou ir para a sala de parto.

Hoje penso que toda aquela pressa e toda aquela gana se metamorfoseou em outra coisa. Será que eu tinha pressa de chegar, de partir, de viver ou de escrever? Talvez tudo isso seja a mesma coisa. Escrever é partir para o desconhecido, porque, por mais que saibamos o que pretendemos com a escrita, há sempre a surpresa. Escrever também é chegar. Chegar à continuidade, à transformação. Escrever é viver. Uma escrevivência, como diria Conceição Evaristo. A experiência que vivo enquanto escrevo é parecida com aquela que percebo quando me olho no espelho procurando por algo que não é meu reflexo.

A vontade de escrever me levou a me formar no curso de Letras – Português e Literatura, me levou a trabalhar em uma livraria e hoje me motiva a me graduar psicólogo. Sou um homem de 29 anos. Sou gay. Sou quieto. Sou mais da paz do que do conflito. Gosto de beber nos fins de semana enquanto assisto a videoclipes na TV. Gosto de filmes e livros fantasiosos e me apaixono por coisas misteriosas. Prefiro trabalhar com tempo de sobra e ainda estou aprendendo a agir sob pressão (mas está funcionando). Meus dias têm sido muito corridos por conta da segunda graduação.

Me meti com atividades extracurriculares, projetos de extensão e pesquisas e, bem, isso tem valido muito a pena. A experiência com a Psicologia está sendo essencial para me impulsionar em direção a possibilidades. Descobri um interesse por Psicologia aplicada a grupos; Psicologia e Cinema; e Esquizoanálise. De forma convergente e complementar também me dedico à Escrita Criativa. Gosto de escrever contos e crônicas e pretendo futuramente me aventurar na escrita de um romance. 

Sobre o blog

Nada prometo.

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